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domingo, 20 de fevereiro de 2011


O Eu e o Tu.

Quando pensamos sem o mínimo de reflexão a cerca destas duas palavras, tendemos a enxergar apenas os pronomes pessoais. Mas, a realidade que aqui mim proponho a apresentar, será do ponto de vista filosófico, ou seja, olhar no sentido de entendermos qual o valor e qual o sentido prático destes termos.  De inicio pensemos que não pode haver o eu sem o tu, de modo que aqui já encontramos uma intrínseca relação de dependência entre ambos. Outra forma de entendermos esta relação de dá pelo fato de estarmos sempre de costas para nós mesmos, ou seja, nunca no vemos por completo e, por isso, precisamos do olhar do outro que está fora. Logo, pode mim ver por completo. Deste modo, o eu só pode ser visto e compreendido pelos olhos do tu. Está dependência indica claramente que a posição de condicional, sem a qual jamais poderia haver relação, convivência, interação e felicidade. Não fomos feitos para a solidão, mas para interação com o meio e com os outros. O eu só encontra seu verdadeiro sentido de ser no tu e, vice-versa. Tudo isso dissemos a cerca do homem material. Porém nos cabe agora dizer do homem espiritual, pois este também encontra seu sentido numa relação de estrita dependência. De todas as criaturas de Deus, só o homem e nenhuma outra, foi dotada de razão, de modo que este uma vez sendo privilegiado, só se realiza plenamente no reconhecimento de sua natureza perecível, e passa a conferir e reconhecer em Deus a máxima natureza, a saber, imperecível, imutável, infinita. O belo de tudo isso, é que o Eu (homem) encontra seu sentido no Tu (Deus); ao mesmo tempo em que pela sua capacidade de pensar as coisas, este Eu, é orientado a louvar e dá sentido ao Deus que lhe criou para com Ele constituir relação de amor e amizade.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011


                                          Τῆς Γύνῆ
                        ( Da Mulher)

         Historicamente a mulher sempre foi tida como pertencente a uma classe inferior. Nas páginas do Antigo Testamento poucas foram às mulheres que tiveram algum tipo de relevância no processo da história da Salvação. A verdade é que a mulher sempre foi taxada de impura, por ser mulher, por ser mãe e por ser filha e, se está fosse estéril ai sim a coisa seria ainda pior. Mas o fato é que, se por uma mulher o pecado entrou no mundo, é também pela mulher entra a salvação. É a partir deste ponto que se inicia o processo de resgate da dignidade da mulher. Jesus faz das mulheres suas discípulas, suas amigas. A cultura hodierna ainda reluta em conferir a mulher sua dignidade, de modo que isso acentua uma profunda contradição, ou seja, mesmo aqueles que insistem em manter uma atitude machista só o fazem em virtude das mulheres.
        Outro exemplo disto é visto na tradição judaica, que é uma sociedade altamente patriarcal. Contudo, para que um jovem seja reconhecido com um judeu, isso implica que este tenha a descendência direta de sua mãe e não do pai. No triste cenário da cruz, lá estão às mulheres e, uma de forma especial a quem Jesus se dirigiu. Para muitos neste acontecimento  Jesus teve uma atitude de desprezo para com sua mãe, mas é preciso ir mais além das palavras, pois aqui a palavra mulher é mais expressiva que mãe, porque mulher atingi um sentido universal, enquanto que o termo mãe é particular, ou seja, é justamente aqui numa situação limítrofe que se confere a mulher o mais alto grau de sua dignidade.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011



A mística do corpo
Agora mim vem à cabeça esta reflexão: qual o sentido e valor que conferimos ao nosso corpo? Por certo muitos dirão que bobagem é essa agora? Meu caro leitor, em meio à cultura do descartável o corpo é mais uma coisa. Quando pensamos na palavra (descartável), quase sempre nos condicionamos a pensar em copos, bolsas, papeis e eletro-eletrônicos etc., mas eu ousaria a dizer que hoje mais do que em qualquer outra época, nosso corpo faz parte desta lista. A mídia capitalista, os ditames da moda, o apelo erótico, são protagonistas desta inversão de valores.
O corpo é a mais alta expressão da nossa humanidade, é o sensor visível de nossas emoções. Contudo, estamos vivendo uma turbulência denominada: o valor das aparências. Onde se acentua uma verdadeira e cruel divisão de classes. De um lado aqueles que possuem um corpo escultural, sarado, capaz de despertar olhares e sentimento de inveja, do outro estão aqueles que por não possuírem o corpo como dita a moda, se vê na condição de condenados, concatenando assim com a busca desenfreada por métodos de estéticas e produtos milagrosos. Mas tudo isso, seria para resgatar uma falsa dignidade, digo falsa porque em nome de tudo isso encontramos pessoas que renunciam até mesmo suas necessidades mais básicas.
O fato é que, queremos a todo custo valorizar o nosso corpo, sem levar em conta que este é finito e perecível, de modo que o tempo se encarrega de revelar nossas falsas ilusões. É justo e honroso cuidarmos deste nosso valioso patrimônio, contudo, não nos cabe fazermos dele um produto de troca e venda nem tão pouco alimentar a ilusão de que este será sempre o mesmo.




quarta-feira, 26 de janeiro de 2011



De vera lux
Talvez esta seja uma reflexão um tanto superficial do que realmente venha a ser a luz, mas como não se trata de qualquer luz e sim daquela que entendo como verdadeira, passo aqui a refletir de forma bem objetiva.
Sinto que nos valendo dos sentidos, quase sempre nos limitamos a compreender por luz aquilo que chega aos nossos olhos. Contudo, a luz que agora mim refiro é de uma natureza inigualável ao ponto de suplantar qualquer possibilidade de escuridão. A luz natural da qual temos acesso, é limitada e quase sempre se perde em meio a escuridão, porém outra é aquela não conhece limites nem tão pouco escuridão. Trata-se de uma luz que não se pode conceber pela razão, mas pela fé.
De tal luz ouvimos falar no evangelho, quando os discípulos de Emaús após a morte de Jesus, parte de volta para sua realidade, sem entender nada do que aconteceu ao mestre e, embora fosse durante o dia a viagem para casa, nada conseguiam enxergar, visto que a luz só estava por fora. Mas quando encontram Jesus e sentem o coração arder, logo se põem de volta para a missão e, mesmo sendo noite agora enxergam tudo, pois a luz já ao está fora, mas dentro de modo que não importa quão escura seja a noite, já não será capaz de ofuscar a luz verdadeira.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Se discordares de mim, tu mim enriquece
Um pouco mais de atenção e logo descobriremos a verdade contida nesta expressão. Estamos vivendo numa época em que as pessoas se posicionam contra todo e qualquer tipo de dogmatismo, e isso é muito bom. Mas esquecemos que um bom arquiteto quando idealiza uma planta de uma construção, antes de colocá-la em pratica, a revisa inúmeras vezes e quem sabe até mesmo a modifica. A verdade é, que jamais podemos construir um conhecimento a cerca de qualquer coisa, sem que nunca tenhamos a coragem para refazê-lo ou até mesmo abandoná-lo quando preciso for. Contudo, temos uma geração de dogmáticos que preferem conviver com seus erros a compartilhar de uma opinião que seja diferente. Nosso tempo é rico em liberdade de expressão, porém, diga-se de passagem, que esta serve apenas para criticar ou até mesmo difamar sem que haja qualquer acréscimo a construção de um pensamente sólido. Precisamos nos desarmar não apenas daquilo que conhecemos como arma, mas, sobretudo, dos nossos preconceitos, que muitas vezes nos aprisionam e mais ainda, nos leva a querer que o outro também seja seu refém. Somente uma mente aberta e sensível ao que o outro tem a discordar de mim, poderá, ao final do dia dizer consigo mesmo: agora mim sinto mais completo e mais rico, porque soube compartilhar com outros, aquilo que acreditava ser minha verdade, mas que era apenas uma vista de um ponto.


A crise é sinal de esperança
Gosto de pensar que toda crise traz consigo um grande sinal de esperança. Dito de outra forma, a crise é gestante de esperança. Digo isso pelo fato de que, somente aquele que experimenta uma crise e consegue superar os desafios que nela estão implícitos, sabe realmente dar o devido valor as coisas que lhe cercam, sejam elas pessoas, coisas, relações, etc. é bem verdade que desde sempre somos protegidos, primeiro pela nossa família, depois pelos amigos, pelas instituições, contra toda e qualquer possibilidade de fracasso na vida, no amor, na profissão, e tudo isso só serve para uma coisa, ou seja, criar em nós a sensação de que estamos preparados para os desafios de viver, mas o que se constata é um erro fatal, pois mais dia menos dia, veremos o quando somos fracos, impotentes, incapazes e muitas vezes covardes perante o mundo que nos abriga. Deste modo, quando uma crise vier ao nosso encontro é preciso antes de qualquer coisa, acolher, sentir, e ter o firme propósito de sair dela vencedor, só assim, terá a sensibilidade de olhar a nossa volta e percebermos quantas coisas realmente possuem o valor que lhe convêm. Tão necessário quanto a felicidade é a crise, visto que é por meio dela, que nos tornamos fortes, seguros, corajosos e sem dúvidas atentos as coisas mais simples que a vida nos presentei diariamente.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Contradição Necessária
Para que venha a ser algo, devo primeiro não querer ser nada; para amar verdadeiramente, devemos amar primeiro a quem não nos ama.
Quem poderia entender tal afirmação? Certamente nem eu mesmo posso encontrar tal significação. No entanto, se faz necessário percorrer este caminho de descoberta. Pois bem, sabemos que até mesmo o menor de todos os seres possui desejo de alguma coisa. Mas, sobretudo no homem que esse desejo, que não é simplesmente de algo, mas de ser ele mesmo esse algo. Contudo, é bem verdade que a via por onde devemos transitar, deve possuir outra via que lhe seja contrária, de modo que, somente com esta condição, é possível chegar aonde se deseja. Esse contraditório é bastante relevante, pelo fato de que somente aquele que se esvazia dos pré-conceitos, que se desnuda de tudo quanto lhe causa apego, só neste momento tal homem estará pronto para encontrar a si mesmo. Quando falo aqui de que para amar melhor, devemos amar aqueles que não nos ama, é possível bem possível que tal afirmação cause um impacto de principio negativo ao meu caro leitor. Contudo, com esta reflexão, quero apenas dizer que este tipo de amor dispensado a quem não se ama, trata-se de uma realidade no mínimo cheia de gratuidade, visto que aquele que recebeu a dispensa deste amor, não possui em hipótese alguma, a responsabilidade de retribuir a este ato. De modo que, se decidir o fazê-lo, o fará na mais plena liberdade e gratuidade. O que implica nada cobrar de quem lhe amou primeiro. Assim, aquele que resolveu amar quem não lhe tem amor, se por algum motivo precise se ausentar, não incorrerá em violência, nem tão pouco será acusado de abandono. Já aquele que optou por dedicar algum tipo de amor a alguém que lhe ama, quando se ausenta, será acusado de abandonar suas juras, e também de incúria, pois não será mais capaz de cuidar daquele que em algum momento compartilhou de um sentimento mútuo.