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terça-feira, 7 de setembro de 2010

Refletir para viver

Uma coisa mim invade nesse instante, e a pena que agora empunho em minhas mãos, sabe o quanto dista materializar em palavras o que arde em meu coração e fervilha em minha mente. É uma velocidade de pensamentos que nem ao menos uma coisa consegui capturar até agora, mas tentarei falar do que mim parece querer ser exposto.  Quero falar da vida que pulsa em nós e quase sempre não nos damos conta de que ela carece de atenção. Contudo vem a pergunta: o que seria tal atenção?  Às vezes nos igualamos as folhas, aos animais irracionais, e pautamos nossa vida sem um sentido lato, ou agimos por instinto, ou simplesmente nos deixamos levar pelos acontecimentos do cotidiano, como as folhas são levadas pelo vento. Por isso meu caro leitor te convido a pensar um pouco mais a cerca do que venha a ser a vida, e qual deva ser o propósito pelo qual se vive. A liberdade em fazer umas coisas e renunciar a outras, de gostarmos de uma cor e não de outra e por ai vai... Quase sempre vemos homens e mulheres que optam por tirar a própria vida, sem se quer refletir sobre seu valor, nos deparamos com um descaso tão gritante em relação a vida, que nem questionamos mais o por quê de tantas mortes sem sentido. E o que dizer do aborto? Faltam palavras e sobra covardia neste caso especifico. A muito tempo se disse que com a educação institucional o homem seria mais civilizado e respeitaria mais o valores básicos uns dos outros, mas nunca como hoje se fez tanto mal a ida como em nossos dias. Nunca o ser humano foi tão descartável como hoje. Tudo isso, só aumenta triste realidade de que estamos perdendo a capacidade mais preciosa que nos resta, que é saber viver e viver com qualidade e com motivação suficiente para valorarmos esse dom de Deus. O desejo irrefletido de poder conduz a muitos a praticar a opressão de poucos. E mim questiono a cerca da escravidão tão vergonhoso do passado e pergunto o que estamos fazendo de diferente ao nosso semelhante?  Por fim gostaria de convidar ao meu prezado leitor a pensar donde viemos, onde estamos e para onde desejamos ir? Pois só assim poderemos dar um rumo certo ao nosso existir e conseqüentemente estaremos salvando a nós mesmos da extinção que brota de nossa incapacidade de pensar. 

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

A unidade dos contrários.


É com entusiasmo que mim ponho a refletir sobre a unidade dos contrários, uma vês proposta por Heráclito de Eféso. Este autor discorreu sobre a origem das coisas a partir desta reflexão, eu o farei no intuito de encontrar a origem e sustentação da felicidade. Pois bem, dito isto, começo analisando a relação que existe entre o quente e o frio, dado que não se trata de algo material, mas, sobretudo sensível, e como tal, embora escolhamos um ao outro, estamos sempre imerso nas duas realidades. Bem assim acontece com o amar e odiar, com o sorrir e chorar, com o acolher e desprezar, curar e ferir. Pensar tais realidades, por vezes causa medo e estranheza aos que agora lêem este texto, mas o que dizer da pureza na mistura? Ou mais ainda  morte e vida? Bem sabemos que de um depende o outro, pois sine qua non, o que realmente dar sentido ao bom é o que se tem por ruim, assim acontece com o belo, quando vemos o que é feio. Quando pensamos que existe o divino, mas também o humano, logo queremos separar o que por natureza esta unido. E é natural que estejam assim, unidos, visto que sem o divino, o que seria o humano, sem o humano o que seria o divino? A busca incessante que tem o ser humano em encontrar a felicidade é quase sempre distorcida, por achar que uma realidade não depende em nada da outra, e por isso, queremos amar sem sofrer, ou conquistar algo sem renuncias. Deste modo, é urgente que pensemos no fato de quem sem morte não teremos vida. A cada um cabe harmonizar no seu interior tais realidades, tendo como meta a conquista durável deste bem precioso que é ser feliz...

domingo, 1 de agosto de 2010

Contemplando o Belo

Hoje ao acordar, desejei contemplar o belo, mas o que é o belo? Sei não, mas penso que seja o ato gerador de minha existência. Pois bem se assim é definido por mim, sei que estou mais perto do que pensei. Mas como fazer esta contemplação? Sei lá, mas acho o seguinte: a cada dia, a cada instante, a cada momento, sou tentado a ficar parado em meio ao tempo ou no meio de minha jornada, e basta alguns instantes de silêncio para sentir que tudo em mim é vida. Vida esta que brota incessante como a água de uma fonte, mas quase sempre não mim dou conta. Contudo ela continua a brotar, é isso mesmo, brota por uma ordem natural que deriva de algo bem maior, ou seja, é o belo que ali reside, que ali se manifesta mesmo em silêncio num ato de ruptura com a minha indiferença.  Digo a você que agora está a ler estas linhas, só pode contemplar o belo, aqueles que se permitem perder tempo com as coisas mais simples da vida, como por exemplo: se alegrar com o cantar de uma ave, com o sorriso de uma criança, com o cair das águas da chuva, o reflexo do céu numa simples gota de água que esta na terra.  Contemplar nada mais é dôo que um debruçar-se sobre as coisas simples e muitas vezes sem importância, para poder sentir o importante. Hoje falava com uma amiga a cerca da solidão, e entendo que a solidão é necessária a todos, pois é o que nos permite um encontro com o que temos de essencial em nós e que muitas vezes morremos sem perceber isso.  No banquete Platão diz que: “o coração é o lugar onde se gera o belo no corpo e na alma”, então o belo gerado no coração só pode ser vida e amor, logo se ainda não contemplamos o belo é porque ainda não contemplamos a vida em sua essência singela e pura.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Descrevendo o Amor


Há muito tempo sou impelido a escrever sobre o maior dos sentimentos, e penso eu que após uma longa gestação, agora sim aqui estou expondo os longos anos de minha reflexão. Nada mais direi, a não ser que o amor perdeu seu significado por uma falta sem precedente de um conhecimento mais vasto de sua essência. Pois bem, esta reflexão transcorrerá tendo como base as palavras: ηρός (Eros), ἀγαπε ( ágape), φιλια ( filia) e πορνεια ( pornéia).  Deste modo devo iniciar falando sobre φιλια (amizade) que traz em si um grande valor, pois é o tipo de amor no qual a liberdade deve ser plena, ou seja, dito de outra forma, este amor não é regulado por nenhuma norma ou lei, visto que deve se dar na mais plena liberdade, sua obtenção é resultado de uma conquista, e deste modo acontece num ambiente livre, de partilha da vida, das emoções que os interessados devem cultivar mutuamente. É um amor de reciprocidade, mas sem uma obrigatoriedade, pois do contrário deixar de ser amizade, e perde-se em muitas outras coisas da qual não faz juz a este nome. Dito isto, já defini o que deve se entender por amizade, ou seja, sem o que acima foi dito, teremos qualquer outro sentimento, exceto uma amizade, o que na cultura grega era um grande tesouro. Para os gregos, αγαπε quer dizer amor, mas um amor diferente de amizade, pois é um tipo de amor mais amplo que amizade, ou seja, é um amor de oblação, entrega incondicional, de modo que é em sua máxima, um amor de entrega sem interesses mutuo, dito de outra forma, aqui quem ama, ama sem esperar nada do outro que é amado. Este tipo de amor é plenificado em Jesus, e podemos relacionar ao amor de uma mãe. Aquele que se dispõe a amar desta forma vive o amor em seu sentido mais sublime, o termo do latim para este tipo de amor é: cáritas. Agora refletindo sobre ηρός, descobri que este tipo de amor, foi ao longo dos anos distorcido, pois o que deveria ser algo bom em sua essência, assumiu características de outros tipos de amores. Hoje pensar em ηρός, é pensar em sexo e só isso, contudo posso afirmar que é também sexo, mas não só. Temos que entender que é uma fusão dos amores que acima mencionei este tipo de amor exige uma cumplicidade, ou seja, uma entrega ao desejo de correspondência tem sua máxima no encontro de duas pessoas que se permitem serem tocadas, pois compreendem que aqui cabe um encontro mais intimo, de modo que é para isto que ele existe realizar no homem, a atividade orgânica de suas potências. Contudo não deve se limitar a este aspecto, pois sua riqueza e beleza esta além. Trata-se de um amor equilibrado por φιλια e αγαπε, onde pessoas que já se conhecem e se respeitam, desejam vive de forma mais ampla uma relação. Não pode ser simplesmente uma usurpação do corpo de outrem, mas uma entrega consciente e sublime num encontro de reciprocidade, onde não haja explorados, nem tão pouco exploradores. Somente assim será dado a este tipo de amor, seu valor real. Aqui sim cabe aos envolvidos, um tipo de cuidado, zelo, nunca o ciúme como vemos hoje, pois ciúme não é forma de dizer que se ama alguém, mas uma distorção de algo belo e vital. Por ultimo quero apresentar πορνεια, que é a vulgarização de todos os outros que falei, ou seja, enquanto filia é liberdade, porneia e escravidão, enquanto ágape e gratuidade, porneia é interesse, e enquanto Eros é prazer, pornéia é dor e sofrimento, por se tratar de um tipo de amor, onde a relação deixa de ser entrega mutua, para ser uso, abuso individual de uma pessoa.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Quando só Deus é a resposta!


Quando só Deus é a resposta!
                Sabemos desde muito cedo, que desde a origem do mundo o homem busca entender a sua existência e para tanto criou as varias ciências que existem. Buscando deste modo respostas a cerca de nossa vida cotidiana, mas quase sempre as ciências acabam por limitadas e sem as respostas precisas do ponto de vista da racionalidade. Pois bem é partindo deste principio racional que tento agora escrever algo, que por mais que não convença pelo menos nos conduza a refletir sobre a importância de acreditar em Deus. Começarei assim, citando alguns exemplos: imaginemos alguém que se encontra muito doente, ou vitima de um grave acidente, isto nos obriga a procurar um medico, visto que tal assunto é de sua especialidade, se desejamos estudar um átomo, logo recorremos ao físico, se queremos estudar os comportamentos do homem, procuramos um antropólogo, se estamos entender a personalidade a indicação é para um psicólogo; mas se nossa vida está baseada em provas empíricas e materiais, fica a critério dos cientistas. Logo, compreendemos que todas as ciências existem para ajudar a humanidade a viver melhor e conseqüentemente, por uma vontade que esta além de nossa compreensão natural, ainda que muitos a neguem. A história é testemunha fiel de que em todos os tempos e lugares, a humanidade foi chamada a perceber que existem situações e acontecimentos, onde só Deus é a resposta, cito como exemplo aqui o mistério da vida na morte. Pois quando a ciência se esgota, a fé brota com seu vigor, para acender em nossa vã consciência a certeza de que é Deus quem conduz nossa vida no tempo e na história, ainda que isso ocorra sem nossa atenção, pois para além de toda racionalidade a fé é transcendente e eficaz...

terça-feira, 1 de junho de 2010

Uma Vida dever ser Projeto ou Produto?



                A pergunta que lhe proponho agora caro leitor é? O que você diria de sua vida ela é um projeto ou produto? Mim acompanhe neste exercício de identificação de nossas vidas. Pensar a vida do homem como produto é reduzi-la a mera acomodação das coisas que nos são postas de forma até mesmo arbitrária, mesmo assim somos conformistas e as recebemos sem nada questionar, ou melhor, nos acomodamos ao que está posto. Deste modo como diz o provérbio popular somos Maria vai com as outras, porque neste modo de viver, ou seja, entendendo a vida como produto, nada pode ser feito, pois tudo já se encontra acabado, resta apenas adequar-se, grosso modo é mais confortável. Porém a vida conduzida desta forma, não é dinâmica, não poder ao menos saborear a alegria de viver coisas novas ainda que sejam as mais singelas, perde-se no tempo, pois já não é atual, vive muitas vezes no saudosismo do que se foi, e nem ao menos pode esperar o novo que há de vir, em suma estar a dançar a valsa da vida com as duas pernas engessadas.  Ao contrario do que disse antes esta à vida pensada como projeto, ou seja, algo que por mais que esteja feito há ainda muito por se fazer, neste modo de conceber a vida, temos a dinâmica de restaurar o que se quebrou, corrigir os erros, pensar o novo como possibilidade, reinventar o passado, ou seja, ser autor e não mero expectador. É pensar na vida como meta de chegado ainda sabendo dos desafios, acolher o que é proposto, mas sem abrir mão de questionar ou até mesmo dizer não. É perceber no astro maior que ele sempre volta, e que nós temos sempre a possibilidade de fazermos tudo de novo, sem jamais perder a liberdade de escolher a direção. Se sua vida é projeto, então ouse, desconfie, construa, acolha, planeje, ame e se neste movimento descobrir que errou, seja autentico e faça o retorna para se permitir nascer de novo, só assim terás a plena certeza de que você é projeto e não produto.

A inconstância do nosso Ser


A inconstância do nosso Ser
                Nosso peregrinar neste mundo é semelhante ao pêndulo de um relógio, pois hora estamos na constância hora na inconstância. Pensemos por exemplo que existem momentos em que estamos felizes e logo em outro momento somos envolvidos numa profunda tristeza, aqui analiso um personagem bíblico que melhor retrata nosso ser no que versa sobre a inconstância. Pois assim como ele somos cada um de nós. Vejamos por exemplo que tal pessoal ao encontrar-se com Jesus, e vendo que este caminha sobre as águas, anima-se e pede-lhe que o faça caminhar também sobre as águas, neste momento esta cheio de confiança, mas rapidamente começa a afundar o que revela que já esta cheio de desconfiança. Deste modo vemos que a segurança cedeu lugar à segurança. São muitos os momentos  em que isso nos sucede. Basta um olhar atento aos jovens de nosso tempo, para termos evidencias do que agora falamos, pois os casais fazem juras eternas de amor, entregando-se um ao outro por motivos quaisquer e tão logo se fartam disso, passam a renegar tudo que fora dito e vivido juntos. Isso tudo leva a trocas de amores que ate então seriam para sempre, revelando que o que antes era para sempre, passará a ser desprezado, estranho sem nenhum valor.  Por vezes nos enchemos de confiança, segurança, coragem e nos equipamos de um propósito de sermos felizes ao mesmo tempo em que desejamos tornar alguém feliz, porém tudo isso acontece sem nos darmos conta de que pensamos estar preparados para os fracassos e frustrações, que são próprios de nossa condição humana.
Para tanto, não basta apenas desejar tais coisas, ou ser feliz, é preciso antes de tudo construir essa felicidade, com a mesma coragem de um guerreiro a ousadia de um sábio, que mesmo querendo tudo isso esta certo de suas limitações (inconstâncias), mas convencido das possibilidades de que pode ser vencedor. Somos feitos de afeto e para o afeto, logo a felicidade é nossa busca maior, ainda que passível de inconstâncias, pois quem caiu mil vezes deve se levantar mil e uma vez, para recomeçar a vida sem medo na certeza de que esta simples atitude lhe garantiu metade do caminhar.